Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louca e santa.
Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louca. Louca que senta e espera a chegada da lua cheia.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.
Bianca, Gênia, Kelvin, Renan, Any, Raíssa, Thaís, Zinha, Bruna, Diego, Hique, Deby, Lucas Wirti, Vinícius, Mariana, Fernanda, Camila, Lilian, Dri, Daiana, Abner, Gustavo, Pedro, Lucas Borges, Henrick, Guilherme, João Paulo, Júnior, Renatinha, Felipe, Raquel, Priscila, Alexandre.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 22 de julho de 2008
Amor? Que?
O que a gente chama de amor é apenas o álibi consolador de um perverso com uma puta, é somente o véu rosado que cobre o rosto assustador da solidão invencível. Vesti uma carapaça de cinismo, meu coração é castrado. Amor, isto é tudo que a gente encontrou para alienar a depressão pós-cópula, para justificar a fornicação, para consolidar o orgasmo. Ele é a quintessência do Belo, do Bem, do Verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima existência mesquinha. Bom, eu, eu o rejeito. Pratico e louvo o hedonismo mundano, ele me poupa. Ele me poupa das euforias grotescas do primeiro beijo, do primeiro telefonema, de escutar uma dúzia de vezes um simples recado, o mal estar de viver, o porquê de sair todas as noites, a primeira noite, seguida de outras mais, não ter mais nada o que dizer, se afastar, mas ficando mesmo assim junto, brigar, se reconciliar, escondendo que no fundo, tudo está morto e depois de mais nada;
Sofrer...
Sofrer...
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